O que vou pedir vai parecer meio dramático, e talvez realmente seja. Tenho tentado, e acredito estar conseguindo, passar por tudo isso sem desespero, aflição e outras emoções ou sentimentos que nos tiram do controle e da razão. Queria que vocês soubessem que o pedido (na realidade uma sugestão) que vou fazer é racional, motivado pela emoção do amor que sinto pelo meu filho. Acredito realmente que possa ser uma tentativa com resultados.
De forma muito rápida e objetiva, a situação dele está crítica. Precisa rapidamente de um doador para sobreviver. Em função disso, eu gostaria que vocês tentassem o seguinte:
1) Escolham um amigo. É importante que seja, acredito eu, um, somente um. Liguem para ele. Falem sobre a importância da doação. Falem sobre o caso do Arthur. Uma ligação forte, importante, sincera. Contem o que vou relatar:
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Arthur precisa de uma doação de coração para ficar vivo (podem falar o oposto da vida, mas eu evito). Ele necessita de um coração compatível com seu peso e com seu tipo sanguíneo. Hoje, para salvar sua vida, o doador precisa ter mais de 2,7 kg, e não mais 3,0 kg, visto que perdeu muito peso com a tentativa frustrada de retirá-lo do tubo. Como é forte, já está recuperando o peso. Sei que ele fará isso muito rápido. Ao nascer, tinha 51 cm. Hoje, com um mês e uma semana de vida, já esta com mais de 60 cm! Seu peso deve disparar nos próximos dias. Ele se afastará do peso dos potenciais doadores. Não posso nem quero que ele pare de ganhar peso, porque estar forte será fundamental para o transplante.
- O tipo sanguíneo não deve ser problema. Como ele é A positivo, os doadores podem ser A ou O, nos dois casos positivo ou negativo. Isso permite que 90% dos mais de 3 milhões de bebês que nascem por ano possam ser doadores. Destes, infelizmente, no nosso Brasil, 150 mil têm mortalidade infantil. No sudeste, são mais de 2 bebês em cada 100 nascidos vivos que deixam esta vida (fonte: IBGE). As estatísticas sobre os anencéfalos são imprecisas. Muitos falam em 1 em cada 10.000. Isso significa 300 salvadores por ano, quase um por dia, como ouvi de um relevante e competente profissional da sistema de nacional de transplante. Ele disse que é muito. Eu acredito. 300 para salvar uma só vida. Há outros números como 3.000 por ano até mesmo quase 6.000 por ano, mas 300 já podem salvar muitas vidas.
- A cultura da doação pode salvar, hoje, a vida do Arthur, amanhã, a de outra criança.
Ao terminarem a conversa com ele, peçam que faça somente uma nova ligação para um outro grande amigo. Vamos criar cultura em pouco tempo.
2) Escolham um outro amigo, que seja médico. Liguem para ele, somente se for amigo.
Sugiram que divulgue o caso. Alguns amigos tem ligado para médicos para que eles informem sobre potenciais doadores.
Ginecologistas, obstetras e neurologistas são os que mais podem ajudar. Eu tenho ido aos hospitais da região sudeste, principalmente Rio e São Paulo, e estou preparando cartas e informativos sobre a doação para hospitais do Paraná, Mato Grosso, e demais estados próximos de São Paulo.
Tentem. Eu sei que posso ficar sem ele. Parece difícil de acreditar, mas tenho total consciência disso (acho que tenho). Acho que a "tranqüilidade" vem do fato de estar tentando. Se possível, tentem também. Tentem por vocês, por mim, pela Bia, por ele, pelo próximo. Se fosse fácil, não pediria ajuda.
Obrigado,
Rafael, pai do Arthur
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