Búzios sedia congresso sobre transplante de fígado, pâncreas e intestino
Buzios sedia congresso sobre transplante de fígado, pâncreas e intestino
Vinicius Zepeda
| Divulgação |
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| À esquerda, podemos ver um fígado retirado de um paciente alcóolico com cirrose; |
No Hospital Geral de Bonsucesso (HGB), o trabalho pós-operatório de enfermeiros e psicólogos junto a familiares de adictos de álcool que tiveram o fígado transplantado tem se mostrado bastante eficaz na prevenção da volta do consumo abusivo do álcool após o procedimento cirúrgico. “Segundo as estatísticas que temos, em até 30% dos casos, a doença do alcoolismo volta a acometer o paciente, o que acaba sendo uma séria ameaça à eficácia do procedimento e à saúde desses transplantados. Daí, a importância do acompanhamento que temos feito”, afirma José Manoel da Silva Gomes Martinho, médico da equipe de transplantes do HGB, pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF) e um dos organizadores do 5º Congresso Brasileiro de Transplante de Fígado, Pâncreas e Intestino, evento que conta com o apoio da FAPERJ. O trabalho descrito acima, um exemplo na diminuição da recidiva da doença de base, será um dos inúmeros apresentados no evento, que teve início nesta quinta-feira, 9 de outubro, e se estenderá até o próximo sábado, 11 de outubro, na cidade de Búzios, no litoral fluminense.
No que se refere à questão dos transplantes, o assunto tem chamado a atenção da FAPERJ desde o ano passado, quando foi lançado o edital Apoio à Pesquisa em Transplantes de Órgãos e Tecidos no Estado do Rio de Janeiro. O congresso é mais uma das iniciativas apoiadas pela Fundação nessa área.
A cerimônia de abertura do evento, na noite de quinta-feira, contou com a presença de diversas autoridades, entre elas, o presidente da FAPERJ, Ruy Garcia Marques. Antes, o professor Jorge Reyes, da divisão de transplante do Centro Médico da Universidade de Washington, Estados Unidos, apresentou a palestra “Doador limítrofe, existe um limite?”. Na parte da manhã, um curso pré-congresso para jovens cirurgiões abordou questões relacionadas à retirada de múltiplos órgãos em transplantes. “Espero que o curso sirva de incentivo para que eles conheçam mais esta atividade, extremamente gratificante”, afirma o médico do HGB, José Martinho.
Além do médico americano, o congresso terá como palestrantes internacionais Claus Niemann, da divisão de transplante da Universidade de São Francisco, na Califórnia, Estados Unidos; John O’Grady, da divisão de transplantes do Hospital King’s College, do Reino Unido, e o professor associado da Universidade de Pisa, Itália, Ugo Boggi. Este último apresentará, na manhã de sábado, uma conferência sobre doação de pâncreas. Compartilhando sua experiência como cirurgião geral, com pós-doutorado na área de transplante de pâncreas e de ilhotas pancreáticas, Ruy Garcia Marques presidirá esta sessão. “Trata-se de uma grande oportunidade para o nosso estado sediar este importante evento. Tanto na capital do estado quanto em outras cidades, temos equipes altamente capacitadas para a prática dos transplantes, mas vimos passando por um momento de diminuição acentuada do número de doações de órgãos e, conseqüentemente, de implantes. A FAPERJ está atenta a isso e, na medida do possível, vem estimulando atividades nessa área, colaborando principalmente na recuperação da infra-estrutura para pesquisa em nossos hospitais”, ressaltou Marques.
Outro ponto em destaque será o transplante de fígado no Brasil na era dos modelos internacionais MELD e PELD. “Antigamente, uma fila de pessoas que necessitavam de transplante de órgãos inscritas por ordem cronológica. Hoje, o transplante não é mais feito desta forma. Desde 2006, o Ministério da Saúde passou a realizar o procedimento de acordo com a gravidade do quadro de saúde daquele que necessita da doação. O modelo MELD (Model for End-Stage Liver Disease, da sigla em inglês) é um sistema numérico que quantifica a urgência do transplante de fígado em pessoas com 12 anos ou mais. Já o PELD (Pediatric End-Stage Liver Disease) é voltado para quantificar a urgência em crianças abaixo de 12 anos”, explica Martinho. “Aqui no estado, todos as cirurgias são centralizadas pelo órgão Rio Transplantes – órgão do governo do estado do Rio de Janeiro, responsável pela centralização das informações e distribuição de doação para todos os hospitais do estado – e realizados de acordo com esses dois novos sistemas de avaliação de gravidade. Em nosso congresso, alguns trabalhos vão avaliar a eficácia dos procedimentos por esse critério, em relação ao antigo, de ordem cronológica”, acrescenta o médico.
A questão dos aspectos técnicos relacionados ao transplante intervivos – que consiste em retirar parte do órgão de um doador vivo –, os cuidados intensivos relacionados ao pré e ao pós-operatório e as novas propostas para diminuir a imunodepressão (diminuição das defesas do organismo ao ataque de outras doenças, comum em transplantados) serão outros temas em destaque no congresso. “No caso do transplante intervivos, o doador é o que primeiramente precisa ser preservado. Estaremos apresentando o que há de mais moderno nas técnicas para diminuir o risco de problemas de saúde para quem faz a doação ainda em vida, o que é um ato de coragem e de extrema generosidade”, explica Martinho.
No tocante à diminuição da imunodepressão, o evento propiciará a discussão dos últimos lançamentos em medicamentos que diminuem a rejeição ao órgão transplantado e que levam a menor incidência de efeitos colaterais. “Em relação aos cuidados pré e pós-operatórios, o congresso será extremamente rico, uma vez que apresentará as experiências dos diversos profissionais da equipe: médicos, enfermeiros e psicólogos, dentre outros”, conclui Martinho.
A Comissão Organizadora do V Congresso Brasileiro de Transplante de Fígado, Pâncreas e Intestino é composta por: Lúcio Pacheco, do HGB (Presidente), Alexandre Cerqueira da Silva (UFRJ), Elizabeth Balbi (HGB), Glauber Gouvêa (UFRJ e HGB), Jefferson Alves (HGB), José Eduardo Manso (UFRJ), José Manoel Martinho (Uff e HGB), José Marcus Raso Eulálio (UFRJ), Juan Renteria (UFRJ), João Luiz Pereira (HGB) e Marcelo Enne (HGB).



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