2.1.06

Novo ano

Um novo ano, mais desafios a superar

Esta postagem tem como objetivo promover o debate e concentrar idéias de como envolver os médicos na campanha para doação. Tenho escrito muito sobre a importância da atuação dos profissionais de saúde.

Para falar sobre este tema, vou começar pela transição de 2005 para 2006 e deixar ao final a pergunta: como fazer os médicos entrarem no desafio de ampliar a cultura de doar para salvar?

Coloquem comentários no blog para dar resposta para esta pergunta!!

Leiam uma motivação:


Para mim, 2005 foi embora bem. Por mais difícil que pareça, terminar 2005 encheu minha família de esperança. Para deixar este ano para trás, fui falar com Deus. Literalmente. No dia 31, decidi fazer algo que gosto muito: andar para pensar. Lembrei que certa vez fui ao Cristo Redentor por uma trilha do parque Lage. É uma longa e difícil caminhada, mas nada melhor do que refletir e ir andando até o Cristo para pedir por um 2006 melhor.


Minha jornada começou com um imprevisto. O parque Lage estava fechado (para os que não conhecem, fica próximo ao Jardim Botânico, aqui no Rio. Vale conhecer). Bom, minha missão tinha furado logo no início. Logo meu espírito de tentar, tentar, tentar me levou para uma rua no alto do Jardim Botânico. Queria tentar achar outra entrada. Falei com policiais, com o jornaleiro. O máximo que descobri, para minha alegria, foi uma rua que daria em uma trilha para uma cachoeira, que não conhecia. Pensei "lá deve haver alguém que conheça outro acesso à trilha para o Cristo." Lá fui eu.


Estacionei o carro. Entrei na trilha. Em menos de 20 minutos estava na cachoeira. Maravilhosa. Linda. Lá fiquei por uma hora, descansando. Pensando em 2005.
2006 veio a minha cabeça. Olhei para o alto e vi que havia um trilha para o alto da cachoeira. Subi e mais beleza. Ligue para um amigo do meu irmão que mora perto da região e perguntei: “há uma trilha desta cachoeira para o Cristo ou para as Paineiras (a meio caminho do Cristo)?”. Ele disse: “sim, há. Está bem ruim, mas é possível”.
Teve início o desafio. Queria ir falar com Deus, ouvir, pedir, refletir.


Nos trinta minutos iniciais, foram muitas maravilhas. Muitas. Descobri um riacho e comecei a segui-lo. Logo achei uma pequena queda d’água, que resolvi subir. Para minha surpresa e alegria, acima havia outra cachoeira e uma espetacular piscina natural. Parei um pouco, entrei na piscina, descansei.

Com as energias repostas, dei continuidade a minha tentativa de ir falar com Deus. Em poucos minutos, descobriria o quão difícil seria aquela missão. A trilha estava praticamente destruída. As chuvas dos meses de outubro e novembro aqui no Rio tinham derrubado árvores e apagado o caminho. Logo, percebi que não deveria ter entrado na mata sozinho. Continuei andando e a dificuldade aumentava. Voltar não fazia sentido pois, além de acabar com meu objetivo, poderia significar me perder mais ainda. Para vocês me conhecerem um pouco: faço trilha já faz muitos anos, mas estou longe de ser um profissional. Estava em risco.

O medo logo tomou conta e, depois de ter escalado um pedra de onde quase caí, tomei duas decisões: primeiro, ficar calmo para pensar melhor; segundo, se com mais de uma hora de caminhada não chegasse até uma trilha segura, iria ligar para os bombeiros e esperar que me socorressem.

Felizmente, em meia hora, achei a trilha e em pouco tempo avistei duas pessoas a caminhar tranquilamente. Estava imundo. Eles não entendiam o que eu estava fazendo ali e nem muito menos como tinha saído do meio da mata. Falar com Deus não é tarefa fácil, mesmo (estava frase está incompleta, mas leiam até o final para conhecê-la por completo).

Entrei na trilha, achei o asfalto das Paineiras (outro lugar maravilho no Rio), tomei um banho na cachoeira com muitas pessoas em volta (todas achando estranho eu estar sujo de terra. Foi até engraçado). Segui minha caminhada, estava exausto. Já estava a mais de duas horas andando, detalhe: sem almoço. Faltavam quatro quilômetros até o Cristo. Me coloquei a andar. Tinha uma missão a cumprir. Quando com as pernas bambas cheguei nas escadarias do Cristo Redentor, ganhei força para continuar subindo. Comi algo na lanchonete (suco, frutas e queijo) e fui falar com o Filho de Deus.

Não há dúvidas que pedi pelo Arthur, claro, mas, por mais duro que 2005 tenha sido, agradeci. Tenho um filho maravilhoso, uma esposa que me ama e esperança, muita esperança. Acho que através Dele, falei com Deus. Seja feita Sua vontade.

Desci pela trilha correta, sem nenhuma dificuldade a não ser o cansaço, e pensei em 2006. Poucas horas depois, ele chegou. Eu já estava em Copacabana. Mais uma maravilha de Deus, com fogos e festas, feitas pelos homens. Pedi que desafios como esse que superei para ir falar com Deus e um, muito maior, sejam superados. Pedi que a Doação seja uma realidade para todos. Que seja um valor cultural de nosso país.

Voltando a questão central desta postagem, aos médicos, peço que enfrentem o desafio de se informar para ajudar a salvação pela doação. Médico informado e atuando, agindo, prima pela excelente. Médico desinformado não entra em ação. Médico informado e não agindo é um imenso risco e deve mitigado. Aos que lerem essa mensagem, que superem o desafio de pensar em como fazer os médicos ampliarem a cultura de doar para salvar? Eles são fundamentais. Hoje, podem salvar, como tenho dito, a vida do Arthur, amanhã de um outro brasileiro.

A frase completa: “Falar com Deus não é tarefa fácil, mesmo. Por outro lado, vale muito a pena tentar. Na busca, aprendemos muito.”



2006

9 Comentários:

Sheila disse...

Engraçado, lendo essa mensagem lembrei exatamente do que fiz no Natal e Ano Novo, agradeci, pedi saúde para todos e pedi muito pelo Arthur, para que essa graça seja alcançada e que seja feita a vontade de Deus...continuo torcendo muito por ele..todos os dias, em todas as orações.

11:00 AM  
Maria Claudia disse...

Como fazer os médicos ampliarem a cultura de doar para salvar? Pensei muito para responder esta pergunta... Não sei bem como funciona o processo de captação de órgãos, mas o que me ocorreu foi que seria muito eficiente se a entidade responsável por isto (acho que é a CNCDO - Centro de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos) mantivesse dentro dos hospitais públicos e particulares uma equipe (e na minha opinião deveria ser de psicólogos treinados para crises) que acompanhasse os casos de óbito ocorridos para tentar convencer a família a doar para salvar vidas e tentar confortá-las mostrando que este ato de amor promove a vida e a continuidade. Que o fim pode ser na verdade um bonito recomeço. Desta forma tiramos a total responsabilidade do médico quanto a cultura de doação e passamos a dividir esta responsabilidade com a sociedade. Por sua vez, os médicos devem estar preparados para captar prontamente os órgãos tão logo a família se declare doadora. A entidade responsável pela captação deve manter os médicos destes hospitais informados quanto à legislação vigente para que eles estejam seguros que não estão comentendo nenhum crime e sobre a importância de se doar para salvar. Que aliás é o propósito primeiro de qualquer médico, salvar.

1:02 PM  
Adriana disse...

Concerteza apredemos muito enqto procuramos uma saida. Mas Deus esta vendo e sabe muito bem o faz. Nadaé por acaso!
Tenham sempre muita fé. Q tdo vai dar certo!

2:33 PM  
Rafael Paim, pai do Arthur disse...

Maria Claudia

Excelente idéia. Vou falar com o Ministério da Saúde para tentar coloca-la em prática. Na verdade, há uma portaria do MS (1752/05) que determina a criação de comissões de doação, mas, muito infelizmente, não é respeitada.

Todos

Eu vou dar mais uma: Vou imprimir adesivos e a base legal para a doação (que permite completamente, pois os anencéfalos estão mortos ao nascer). Depois disto, vou (vamos) criar um kit para que seja entregue para os chefes das maternidades. Eu vou entregar para amigos. Eles poderão me ajudar, visitando hospitais. Hoje fui na Perinatal e no IFF no Rio. Ontem liguei para uma grande maternidade em São Paulo. Há muitos outros para visitar. Conversem. Os médicos informados sempre ajudam. Querem, como disse a Maria Claudia, SALVAR.

Vou colocar o KIT no site para que outros possam imprimir e difundir a doação para os médicos de todo o Brasil.
Abraços
Rafael

11:29 AM  
Valéria Gonçalves disse...

Rafael, foi lindo o que vc fez para estar perto e falar com Deus. Na virada do Ano pensei e pedi várias coisas, e uma delas foi saúde para o pequeno Arthur. Que Deus abençõe a ele e a vocês.
Vocês vão conseguir!!!!

4:57 PM  
Rosane Valgas disse...

Todos os dias ao chegar no trabalho a primeira coisa que eu faço, é entrar no site doeação, quero informações, noticias. Foi a maneira que eu encontrei alem de estar com o pensamento positivo pedindo a Deus pelo Arthur de ajuda-lo. Tenho divulgado tudo o que esta acontecendo e as ações de seus pais aos meus amigos e conhecidos. É realmente preciso informar as pessoas . Deus abençoe Voces. Ele é bom e o Arthur vai conseguir .

9:01 AM  
Maria Claudia disse...

Pensei em outras atitudes que poderíamos tomar para divulgar a doação. Pensei em broches com o logo do DoeAção para que pessoas treinadas que trabalhem em hospital, mas principalmente enfermeiras, usassem e ajudassem a difundir e incentivar a doação entre as pessoas.
Outra coisa seria espalhar quadros com um cartaz falando sobre a doação para que os familiares de pacientes com eventual declaração de óbito já tenham a idéia de doar para salvar e gerar continuidade, facilitando o trabalho de médicos e/ou outros profissionais que objetivem a captação de órgãos.

7:43 PM  
Rafael Paim, pai do Arthur disse...

Maria Claudia. Ótima idéia. Vou tentar preparar até o dia da caminhada (Domingo, dia 14) para distribuir para os médicos e para outros profissionais de Saúde.

4:23 PM  
Tania disse...

Venho acompanhando o caso de Arthur. Hoje me emocionei ao ler as mensagens. Vocês já são vencedores por terem essa fé maravilhosa no Criador. Deus lhes abençoe. Força e coragem,o Arthur terá uma colocação especial em minhas orações.

11:18 PM  

Postar um comentário

Criar um link

<< Home