Reportagem: Estadão  (10/04/2006)


 

Pai do bebê Arthur pede conscientização de médicos
 

Ele diz que a desinformação dos médicos em relação à doação de órgãos de bebês anencéfalos é um obstáculo para o transplante.

RIO DE JANEIRO - O bebê Arthur, que aguardava por um transplante de coração para sobreviver, foi sepultado nesta manhã, no Cemitério do Caju, na zona portuária do Rio. Mais de cem pessoas comparecem ao local. Muito emocionados, os pais da criança, Rafael Paim e Beatriz Schlobach, decidiram enterrar o filho junto com um brinquedo que ele ganhara no aniversário de quatro meses, comemorado em 14 de março. Durante a cerimônia, foram distribuídos folhetos com uma carta aos profissionais de saúde, escrita por Rafael em 15 de janeiro.

Nela, o pai diz que a desinformação dos médicos em relação à doação de órgãos de bebês anencéfalos (anomalia que impede a formação total do cérebro) é um obstáculo para o transplante. E apela para a participação das pessoas. "Do jeito que é hoje (o Sistema Nacional de Transplantes) não funciona", disse Rafael, que, durante os últimos cinco meses, chamou atenção a importância da doação de órgãos e para as falhas no processo de captação.

Arthur morreu às 15h30 de domingo, de falência múltipla de órgãos, no Hospital das Clínicas, onde estava internado desde o dia 7 de março, após transferência do Hospital Pró-Cardíaco, no Rio.

Karine Rodrigues

 

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