O pequeno Arthur de Blauth Schlobach Santos, que
completa hoje 21 dias, nasceu com um problema grave no
coração, uma hipoplasia - redução acentuada dos
movimentos do lado esquerdo do coração. Se não receber
um transplante, o bebê pode morrer daqui a seis meses
ou um ano, correndo ainda o risco de pegar uma
infecção hospitalar durante a espera, comum em quem
precisa respirar através de aparelhos.
Os pais, Rafael
Paim Cunha Santos, de 29 anos, e Beatriz Blauth
Schlobach, de 31 anos, empreendem uma campanha para
estimular a doação de órgãos no Brasil. Mas a proposta
envolve um ponto polêmico: a mudança na legislação
referente aos anencéfalos.
Conseguir um
doador de coração para o menino é muito difícil,
afirma Rosa Célia, cardiologista infantil do hospital
Pró-Cardíaco, onde está internado:
- Uma criança com morte
cerebral nessa idade é algo muito raro. Tem que ter
sofrido um acidente ou ser um anencéfalo [feto que se
desenvolve sem cérebro]. Mas nesse caso a lei não
permite que a mãe decida fazer a doação dos órgão de
seu filho - explica ao JB a médica.
Arthur, que teve o
problema diagnosticado quando estava em gestação, pode
receber um coração apenas de alguém com até três vezes
o seu peso.
- Gostaria de
conseguir que as famílias dos anencéfalos tenham o
direito de salvar outras vidas - declara Paim. - No
caso do Arthur, não dá tempo que a legislação mude,
mas assim poderia ajudar outras pessoas no futuro. Mas
se uma família declarar que quer fazer a doação, posso
entrar com um pedido para que um juiz autorize a
cirurgia, e salvar meu filho - acrescenta.
Um bebê que
nasce sem cérebro, segundo Rosa Célia, vive no máximo
três meses e o aborto não é permitido por lei.
Arthur, já foi
submetido a dois procedimentos cirúrgicos. Foi
colocado um stent em seu coração (uma espécie de mola,
de dimensões mínimas, que mantém o canal arterial
aberto) e outra para retirar fluxo do pulmão. Segundo
Paim, o quadro geral do menino se mantém estável:
- Mas nada
disso adianta se ele não receber um coração - realça.
O pai do menino, que já
criou um site para a campanha ( www.doeação.com.br)
ressalta que pretende fazer com que a doação de órgão
passe a fazer parte da cultura brasileira.