Pais que defendem doação de anencéfalos recebem apoio
O drama do casal que decidiu entrar na Justiça para garantir o transplante de coração do filho de menos de um mês de vida despertou a atenção de pessoas de várias partes do País. O número de mensagens eletrônicas enviadas à família tem aumentado desde domingo, assim como o interesse pelo site www.doeacao.com.br.
Em apenas dez minutos, foram contabilizados ontem 140 acessos à página, onde é possível conhecer a história do pequeno Arthur e de outras crianças nascidas com má formação cardíaca.
"A quantidade de pessoas que entrou em contato comigo aumentou bastante", contou o engenheiro Rafael Paim Santos, de 29 anos, sem citar números. Mostrando-se esperançoso quanto à possibilidade de encontrar, o mais rápido possível, um órgão que seja compatível com as necessidades do filho, ele revelou ter conversado ontem uma família que aguarda pelo nascimento de um bebê anencéfalo (sem cérebro). "Vamos aguardar", resumiu, sem dar detalhes sobre o encontro.
Pela idade e peso de Arthur, o provável doador deve ser um recém-nascido sem cérebro, condição que torna o drama de Rafael e de sua mulher Beatriz Schlobach, de 31 anos, ainda mais difícil. O problema é que, embora exista uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) autorizando o transplante de anencéfalo apenas com o consentimento dos pais, médicos têm receio de realizar o procedimento sem autorização judicial.
A resistência está relacionada à dúvida se o feto que tem essa característica já não vem ao mundo com o diagnóstico de morte encefálica, posto que não tem cérebro.
"É muito difícil encontrar um bebê com morte encefálica (exigência para permissão do transplante, segundo a legislação brasileira). Casos de queda, acidente vascular cerebral e bala perdida, que podem evoluir para a morte encefálica, são raras em recém-nascidos. A não ser que seja um feto sem cérebro. Conversei com especialistas e soube que, no Brasil, um em cada 10 mil bebês nasce com esse problema. E há locais onde a proporção é ainda maior, um para cada 5 mil", informou, lembrando que a polêmica em torno do assunto deve ser discutida por toda a sociedade, para fazer com que a lei seja cumprida.
Segundo ele, Arthur, que permanece internado no Centro de Terapia Intensiva do Hospital Pró-Cardíaco, está relativamente bem e ainda respira com ajuda de aparelhos. Operado com quadro dias de vida, só lhe resta agora o transplante, já que durante a cirurgia não foi possível fazer uma ponte para reverter a má formação na parte esquerda do coração.
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