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Justiça decidirá sobre doação de
feto anencéfalo
Os pais de um bebê
com 22 dias e má-formação no coração pretendem entrar na Justiça
para garantir a doação de um órgão compatível de um bebê
anencéfalo, ou seja, portador de graves deficiências no cérebro
que impedem sua sobrevivência. A criança chamada Arthur depende
do transplante para sobreviver.
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Primeiro da fila no
País, Arthur enfrenta um problema adicional à espera pelo novo
órgão: tem como potencial doador bebês anencéfalos. A condição é
interpretada de forma diferente entre especialistas do Direito e
da Medicina e pela Igreja. Diante da divergência, os pais
decidiram entrar na Justiça.
"Quero dar ao meu
filho o direito à vida", disse o engenheiro Rafael Paim, 29
anos, ao jornal O Estado de S.Paulo. Para ele, a legislação
sobre doação de órgãos e tecidos é motivo de "mal-entendidos".
Embora, no ano passado, o Conselho Federal de Medicina (CFM)
tenha publicado uma resolução autorizando o transplante do
anencéfalo desde que haja a permissão formal dos pais, ele disse
que os médicos receiam seguir a deliberação.
Chefe do Setor de
Cardiologia Pediátrica do Pró-Cardíaco, onde Arthur está
internado, Rosa Célia avalia que a resolução do CFM diz que a
questão é polêmica. Ela não sabe quanto tempo seu paciente pode
esperar para receber um novo coração. "Ele nos surpreendeu, pois
nasceu até bem, mas já passou por uma cirurgia, um cateterismo e
está com respirador artificial".
Segundo Paim, que criou um site
(www.doeacao.com.br) para mobilizar a sociedade, dois pais de
bebês anencéfalos já entraram em contato. No primeiro caso, a
potencial doadora já havia morrido. "A outra pessoa falou comigo
no domingo. Estou tentando criar um 0800. Primeiro quero
conseguir um doador e depois entro na Justiça". A cirurgia
precisaria ser feita em um hospital de grande porte, como o
Instituto do Coração (Incor).
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