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Lei de Transplantes Pode
ser Entrave para Salvar Vida de Recém-Nascido
RIO
- Os pais do recém-nascido Arthur, que aguarda na fila por um
transplante de coração, decidiram entrar na Justiça para que os
bebês anencéfalos possam ser possíveis doadores e aumente,
assim, a chance de seu filho e muitas outras crianças
sobreviverem. A lei dos transplantes diz que a retirada dos
órgãos só pode ser feita depois do diagnóstico de morte
cerebral. No caso dos bebês anencéfalos - que nascem sem o
cérebro - não é possível emitir tal laudo.
Com apenas 22 dias
de vida e pouco mais de três quilos, o pequeno Arthur, internado
no hospital Pró-cardíaco, em Botafogo, sofre de hipoplasia da
cavidade esquerda - o lado esquerdo do coração é atrofiado e não
bombeia o sangue oxigenado para o corpo. O bebê já fez uma
cirurgia de emergência, mas não foi o bastante.
Na fila nacional
dos transplantes de coração, Arthur é o número um. Mas o pai diz
que as chances de aparecer um doador são muito pequenas se não
puder contar com os bebês anencéfalos.
- Se ele não fizer
o transplante, não vai ter o direito à vida. Eu quero que as
famílias tenham o direito de doar, não quero que ninguém seja
obrigado a isso - afirma Rafael, pai de Arthur.
Rafael diz
que informalmente já recebeu informações de várias famílias de
bebês anencéfalos que estariam dispostas a doar os órgãos. Ele
criou, inclusive, um site (
www.doeacao.com.br ) alertando para a importância da doação
e o entrave da lei.
O
vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB), Wanderley Rebello, diz que os juízes
poderiam autorizar a retirada dos órgãos, mesmo com a lei atual.
- O juiz tem
livre arbítrio. Ele pode, amparado em princípios, decidir. Eu
acho que deveria ser feito com base no principio da dignidade
humana e da proteção à integridade da criança - explica Rebello.
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