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Polêmica para Salvar uma Vida
No peito do
pequeno Arthur bate um coração. Um coração doente! No meio do
caminho para salvar a sua vida, uma lei.
Com apenas 21 dias de
vida e pouco mais de três quilos, o pequeno Arthur já tem um
enorme desafio pela frente: derrotar uma lei – a lei que diminui
as chances dele sobreviver. Nessa luta, Arthur tem dois grandes
aliados: a mãe, Bia, e o pai, Rafael.
- “Quando ele
nasceu, a obstetra se virou e disse que era a cara do pai.
Fiquei todo bobo. Depois todo mundo falava que era
lindo...”, conta Rafael.
- “Mas do signo
da mãe, escorpião”, diz Bia.
Arthur sofre de
hipoplasia da cavidade esquerda, ou seja, o lado esquerdo
do coração é atrofiado e não bombeia o sangue oxigenado
para o corpo. O bebê já fez uma cirurgia de emergência,
mas não foi o bastante. A doença do pequeno Arthur faz com
que ele precise de um transplante cardíaco com urgência e
aí entra o absurdo maior dessa história. A lei dos
transplantes, que deveria ser uma esperança, acaba é um
obstáculo a mais para os recém-nascidos.
A lei dos
transplantes diz que a retirada dos órgãos só pode ser
feita depois do diagnóstico de morte encefálica – a morte
cerebral. Aí surge o impasse: os bebês anencéfalos – que
nascem sem o cérebro – poderiam ser doadores perfeitos.
Mas como comprovar a morte cerebral de uma pessoa que
nasce sem cérebro, mesmo sabendo-se que ela vai morrer,
com certeza, dentro de no máximo poucos meses?
- “Isso é muito
sério. O aborto não é permitido. Você gera o bebê durante
nove meses, cria os laços, as fantasias. Tem que ser um
trabalho muito bem feito, muito sério, para aquela mãe
dizer que está tendo um filho para doar. “Até agora, o
anencéfalo está impedido”, alerta a médica Rosa Célia.
Na fila
nacional dos transplantes de coração, Arthur é o número
um. Mas o pai diz que as chances de aparecer um doador são
muito pequenas se não puder contar com os bebês
anencéfalos.
- “Se ele não
fizer o transplante, não vai ter o direito à vida. Eu
quero que as famílias tenham o direito de doar, não quero
que ninguém seja obrigado a isso”, afirma Rafael, pai de
Arthur.
Rafael diz que
informalmente já recebeu informações de várias famílias
com bebês anencéfalos que estariam dispostas a doar os
órgãos. Mas e a lei? O vice-presidente da Comissão de
Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB),
Wanderley Rebello, diz que os juízes poderiam autorizar a
retirada dos órgãos, mesmo com a lei atual.
- “O juiz tem
livre arbítrio. Ele pode, amparado em princípios, decidir.
Eu acho que deveria ser feito com base no principio da
dignidade humana e da proteção à integridade da criança”,
explica Rebello.
É exatamente
isso que os pais de Arthur vão tentar conseguir. Eles vão
entrar com um pedido na Justiça e dizem que não é apenas
para salvar o próprio filho.
- “Numa questão
particular minha, eu ajudo meu filho. Mas tenho o papel de
ajudar a sociedade nessa procura”, afirma Rafael. |